Revisão do Plano Diretor de Recomposição Florestal vai além das APPs e aponta que 61% da área total das Bacias PCJ tem potencial florestal

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Estudos feitos para a revisão do “Plano Diretor de Recomposição Florestal visando à conservação de água nas Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí” apontam que aproximadamente 61% da área total dos 76 municípios que formam as Bacias PCJ - cerca de 9 mil quilômetros quadrados - possuem potencial para reflorestamento, sem considerar as APPs (Áreas de Preservação Permanente), que são áreas já protegidas por lei e e as áreas urbanas e peri-urbanas. Os dados foram apresentados e debatidos na manhã desta terça-feira(01.08.2017), no IZ (Instituto de Zootecnia), em Nova Odessa, durante a primeira reunião pública da revisão do referido plano, promovida pelos Comitês PCJ e seu braço executivo, a Agência das Bacias PCJ.

A execução técnica da revisão desse plano está sendo realizada pela empresa Irrigart Engenharia e Consultoria em Recursos Hídricos e Meio Ambiente, vencedora da licitação, e supervisionada pela Coordenação de Gestão da Agência das Bacias PCJ, junto à Diretoria Técnica. Mais de 100 pessoas participaram do evento de hoje, entre ambientalistas, especialistas no tema, representantes de entidades públicas e privadas, entre elas prefeituras e também representantes do Ministério Público. “A reunião deu força para essa construção participativa, com decisões democráticas, que é a essência dos Comitês PCJ. Para uma próxima fase do plano, da reunião de hoje tirou-se várias sugestões relevantes”, comentou o secretário executivo dos Comitês PCJ, Vinicius Rosa Rodrigues.

A diretora técnica da Agência PCJ, Patrícia Barufaldi, que coordena os trabalhos, também avaliou o evento de forma positiva. “A reunião atendeu as expectativas, que era avaliar esse primeiro relatório apresentado pela Irrigart. O trabalho da Irrigart atendeu plenamente o que determinava o Termo de Referência. A demanda florestal não está focada só em APPs, mas na necessidade real das Bacias PCJ de reflorestamento. São áreas que precisam ser reflorestadas para que a gente possa garantir água em quantidade e qualidade para as Bacias PCJ”, destacou Patrícia. A diretora técnica explicou que o Plano de Recomposição Florestal vai subsidiar um caderno específico com a temática florestal dentro do Plano de Bacias, que também passa por revisão. O Plano das Bacias PCJ é onde vão ser construídas as ações e programas de investimentos para os próximos anos.

O diretor da Irrigart, Antonio Melhem Saad, ressaltou que a revisão do plano “amplia o horizonte” em relação ao primeiro plano, elaborado em 2005. ““Esse plano prevê uma hierarquização de áreas e que o município represente força colaboradora de ações de reflorestamento em escala local. O plano indica as áreas prioritárias e quem define e prioriza é o município, em uma próxima etapa dos trabalhos”, explicou Saad.

Segundo ele, se forem excluídas as áreas urbanas e periurbanas, o potencial de reflorestamento das Bacias é de aproximadamente 61% da sua área, cerca de 9 mil quilômetros quadrados, incluindo áreas agrícolas, principalmente pastagens e canaviais.

“Aí é que o município vai definir: vai entrar em contato com o proprietário e saber quanto de área ele tem disponível para reflorestar, através do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), por exemplo, no qual o proprietário pode receber incentivos por conservar florestas”, comentou o diretor da Irrigart.

A engenheira florestal Carolina Rodrigues, coordenadora executiva do IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais), entidade que trabalhou na elaboração do Termo de Referência para a revisão do Plano em questão, também destacou a importância desse trabalho. “O plano acaba criando outras oportunidades para que o componente arbóreo possa entrar na área rural de maneira mais efetiva, pensando na parte de recursos hídricos, de conservação. Ele avança no sentido de ampliar as áreas, de ampliar essa função da floresta na área rural”, definiu. “Se a gente quer água em maior quantidade e qualidade, a gente precisa de florestas além das APPs”, completou.

PRÓXIMAS REUNIÕES

As próximas reuniões públicas da revisão desse plano serão também no IZ, em Nova Odessa, nos dias 29 de setembro (relatório 2 – efetivação do plano em escala local) e 30 de novembro (plano de monitoramento hidrológico e estratégias para implementação do Plano Diretor de Recomposição Florestal). Informações mais detalhadas sobre o Relatório I da revisão do Plano Diretor de Recomposição Florestal podem ser obtidas aqui.