Comitês PCJ deliberam aumentar vazão do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ

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A partir da próxima semana, vazão passará a ser de 9,5 m³/s; decisão foi tomada nesta semana durante reunião da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH)

Os Comitês PCJ vão aumentar para 9,5 metros cúbicos por segundo a vazão de água do Sistema Cantareira para as Bacias Hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. A medida entrará em vigor a partir de segunda-feira, dia 11 de setembro. A decisão foi tomada nesta terça-feira, dia 5, durante a reunião mensal da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, desta vez realizada na Câmara Municipal de Cordeirópolis.

O aumento das liberações, em cumprimento as novas resoluções de outorga publicadas pela ANA e DAEE no final de maio, se dará num momento em que a estiagem se agrava historicamente na região, a ausência de previsão de chuvas, o aumento das temperaturas e, consequentemente, do consumo. No mês passado, o volume de água que foi descarregado do Cantareira para as Bacias PCJ atingiu 8,5 m³/s.

“O incremento dessas vazões demonstra um avanço importante porque mostra o trabalho dos Comitês PCJ e de todos os envolvidos, que atuaram arduamente durante o processo de renovação da antiga outorga existente, que permitia liberações na ordem de 5 m³/s. Agora estamos com vazões maiores em relação à regra anterior, melhorando as condições de quantidade e qualidade das águas para todos os usos”, comentou o coordenador da CT-MH, Alexandre Vilella.

Vilella explicou que, historicamente, setembro é o mês mais crítico do ano. “Em outubro devem ocorrer as primeiras chuvas e a situação se ameniza um pouco. Porém, os eventos climáticos têm tido comportamentos diferentes nos últimos anos. A CT-MH dos Comitês PCJ tem se manifestado e deliberado por vazões que garantam condições mínimas, uma vez que, há um tempo de transito significativo entre os locais das descargas e os usuários ao longo das calhas dos rios” comentou.

O coordenador da CT-MH explicou também que, com a nova outorga que entrou em vigor a partir de 31 de maio deste ano e tem validade por 10 anos, entre os meses de junho e novembro, quem faz a gestão do Cantareira para as bacias PCJ são os Comitês, que possuem uma cota de 158 hectômetros cúbicos. Atualmente, o volume disponível até 30 de novembro é de 127 hm³. Cada hm³ equivale a um 1 milhão de metros cúbicos.

Ele ainda ponderou que, apesar dessa disponibilidade de água, as bacias PCJ possuem uma grande criticidade em relação aos recursos hídricos. “A situação que a região  vivencia tem gerado grandes desafios todos os anos para manutenção das demandas existentes. É evidente que as Bacias têm se preparado mais para isso, mas a situação é muito crítica. Precisamos ter um olhar também a médio prazo para atendimento das demandas futuras”, defendeu.

Na estiagem, as regras operativas preveem a manutenção de vazões nos postos de monitoramento ao longo dos rios. No rio Atibaia, em Campinas, a média diária mínima a ser mantida é de 10 m³/s, no município de Atibaia é de 2 m³/s, e no Rio Jaguari, no posto em Buenópolis, de 2 m³/.

CÂMARA TÉCNICA DE MONITORAMENTO HIDROLÓGICO
A CT-MH é uma das 12 Câmaras Técnicas dos Comitês PCJ, possui cerca de 100 membros e tem o papel de coletar e analisar dados da quantidade e da qualidade da água nas Bacias PCJ, além de também ser responsável por definir regras operativas, adequações técnicas, execução de obras e implementação de medidas preventivas e corretivas para a operação e manutenção de reservatórios, captações de água e efluentes líquidos. “A reunião da CT-MH é mensal, mas o monitoramento e as decisões são diárias”, ressaltou Alexandre Vilella. Além dele, também fazem parte da coordenação da CT-MH, Paulo Tinel (coordenador adjunto) e Luís Filipe Rodrigues (secretário).
A maior parte dos dados monitorados e analisados pela CT-MH é divulgada pela Sala de Situação PCJ, resultado de um convênio entre DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado), Agência das Bacias PCJ e Fundag (Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola). Mais informações neste link do site dos Comitês PCJ e também na página www.sspcj.org.br